O TROCO

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Aconteceram algumas coisas inacreditA?veis no saudoso Jockey Club de Canoas.

Certa vez, no meio da reuniA?o, o Fanfa, um turfista da velha guarda, que nunca trabalhou na vida, chegou no setor de remates, botou os olhos nos apostadores e vislumbrou a salvaA�A?o da lavoura: JA?lio Andreatta, criador, proprietA?rio, que tinha um dos seus defensores inscritos no pA?reo e fazia lances e mais lances de apostas.

Quase na hora da largada, o Fanfa, com todo o cuidado do mundo, se aproximou do Andreatta e lascou:

– Seu cavalo nA?o faz dupla!A�

O veterano turfista parou, pensou, nA?o se conteveA�e decidiu questionar o parceiro.

– Quem te disse isso?

– Tenho informaA�A?o quente!

Minutos depois, veio a largada, e o defensor do Andreatta saiu devagar, cheio de dificuldades para acompanhar o pA?reo.

Cruzou o disco lA? atrA?s,A�causando um prejuA�zo financeiro eA�uma enorme decepA�A?o ao proprietA?rio.

Enquanto tentava entender o fracasso, o Andreatta foi surpreendido com a presenA�a do Fanfa, que nA?o se fez de rogado.

– Eu lhe falei! Perdeu como otA?rio!

Experiente, o proprietA?rio manteve o silA?ncio.

No fim da reuniA?o, ainda sem explicaA�A�es, irritado, o Andretta chegou no estacionamento, abriu a porta da sua camionete e deu de cara com o Fanfa, que precisava voltar para Porto Alegre e sem uma moeda no bolso.

– Tem uma carona atA� a Farrapos? – pediu o Fanfa.

– Sobe lA? atrA?s! – ordenou o condutor.

Sem escolha, o Fanfa embarcou, tratou de se proteger da baixa temperatura e do vento cortante.

Cada vez mais irritado, o Andreatta pegou a BR-118, pisou fundo no acelerador.

Passou pela Farrapos em alta velocidade e o Fanfa,A�desesperado, gritava para que ele parasse, sem ser atendido.

Bem longe do destino, o Andreatta freou, o Fanfa desembarcou e reclamou.

– Porque o senhor nA?o parou na Farrapos?

– Tu A� muito sabido! Agora te vira para chegar em casa…

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