O GRANDE EQUÍVOCO

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Algumas pessoas fazem muita falta.

É o caso do Pedro Nunes, um homem de pouco estudo, poucas palavras, amigo dos seus amigos, que ganhou a vida como cronometrista da Revista Turfe de Bolso.

Com chuva, sol, inverno, verão, antes do dia clarear, lá estava ele, com os seus relógios na mão, sempre com os olhos na pista, papel e caneta na frente.

Atento, convicto, ele respondia pelas informações sobre os estreantes e as indicações páreo a páreo.

Certa vez, com o bolo de sete pontos acumulado, todos correndo atrás de informações, apareceu no programa um estreante chamado Papai Noel, cinco anos sem vitória, treinado pelo respeitado Girceu Lopes, que gostava de esconder seus cavalos do caçador de barbadas.

Sabedor de que o treino do cavalo estava marcado para alta madrugada, o Pedro não deu mole.

Entrou no hipódromo antes das 5h, procurou um lugar onde não seria visto e ficou na espera.

Minutos depois, surgiu o cavalo, que começou a galopar na seta dos 2.200 metros, apertou um pouquinho no último quilômetro e cruzou o disco em 66s3/10.

Na hora de fazer a revista, falar dos estreantes, o cronometrista foi enfático.

– Trabalhou 1.000 metros em 66s3/10, sem muitas sobras! Ainda vai penar para sair do perdedor!

Antes do páreo, os amigos mais chegados, se aproximaram do Pedro e um deles, bem informado, foi logo na ferida.

– Acho que te enganastes! Esse Papai Noel vai ganhar longe!

Irônico, o cronometrista não perdeu a chance.

– Joga nele! Eu vou pelo meu relógio!

Quando as portas dos boxes se abriram, o Papai Noel tomou a ponta, abriu quatro, cinco, seis corpos, ganhou por quase 100 metros, pagou menos de R$ 2 e derrubou mais da metade das cautelas do bolo de sete pontos.

E deixou o saudoso Pedro Nunes com a maior vergonha da sua vida…

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