O COBERTOR…

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A grande febre dos anos 80, quando o Jockey Club do Rio Grande do Sul organizava quatro corridas semanais, era comprar um cavalo.

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E foi o que fez o meu amigo Valter Quintino, muito mais conhecido como Carioca, sempre de bem com a vida e assíduo apostador até hoje. Com uma grana sobrando, ele adquiriu um cinco anos, paulista, com raras colocações em Cidade Jardim.

Entregou seu defensor para um treinador que tinha poucos pensionistas e passou a frequentar os matinais, viver o ambiente da Vila Hípica aos finais de tarde, acompanhando de perto os passos do animal.
Veio a primeira corrida e o resultado não poderia ser pior: último, longe, sem torcida em nenhum momento do percurso.
Dias depois, ajudado por um tratamento barato, a segunda atuação, com outro fracasso e a quase desilusão.
Apesar dos pesares, o Carioca foi até a cocheira no dia seguinte e, na chegada, ao encontrar o seu treinador, não se fez de rogado.

– Qual o motivo deste cavalo estar correndo tão pouco? – questionou.

O treinador tinha a resposta na ponta da língua.

– Ele anda com muito frio! Esse inverno está atrapalhando a vida dele! – anunciou.

Na esperança de mudar o quadro, o Carioca pegou seu automóvel e se mandou para o centro da cidade.
Entrou na primeira loja que negociava o artigo e não economizou.

– Quero dois cobertores, bem pesados!

Uma hora depois, chegou na cocheira, entregou os cobertores ao treinador e foi embora com a esperança de dias melhores.

Uma semana depois, o cavalo voltou a competir, chegou penúltimo, caindo aos pedaços e o dono foi ao encontro do treinador para as devidas explicações.
Entrou quase correndo na cocheira, abriu a porta do quarto dos empregados e se deparou com o seu treinador dormindo, com os cobertores por cima e descobriu que quem estava sofrendo com o frio dos pampas não era o seu cavalo…

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