A GRANDE DECEPÇÃO

0

coluna-guerrinha

Quase final de mês, com a grana curta no bolso, o Pavãozinho parou, pensou e concluiu:

– Só tenho uma saída para aguentar os dias que faltam até o pagamento! Acertar nas corridas!

Na sexta-feira, véspera da reunião no Cristal, ele pegou o programa na sede do Jockey Club, passou na banca, comprou a revista com o retrospecto e se mandou para casa.

Jantou, vestiu uma roupa leve e se atirou no sofá para estudar páreo a páreo.

Decorou jóqueis, treinadores, analisou todos os detalhes e foi dormir.

Acordou antes do galo cantar e se mandou para o hipódromo.

Chegou lá, conversou com os amigos, buscou mais informações com os profissionais e definiu o que fazer: uma trifeta no primeiro páreo, para aumentar o capital.

Após o galope de apresentação, o Pavãozinho encarou a vendedora de pules e mandou bala.

– Faz uma trifeta! 1 e 5 para primeiro, 1, 2, 3, 5, 7  e 8 para segundo, 1, 2, 3, 5, 7 e 8 para terceiro!

– R$ 40 –  avisou a mulher.

– Faz duas vezes! – pediu.

Minutos depois, foi afixado o resultado no placar: 5 em primeiro, 7 em segundo, 8 em terceiro!

Uma trifeta de três cavalos que não eram os mais apostados.

Com medo da mordida, o Pavãozinho parou em frente ao monitor de tevê e ficou esperando pelo rateio, fazendo cálculos e mais cálculos.

Enquanto aguardava, o azarado gordinho, alegre como quase nunca, encostou no Barba, velho apostador e mandou bala.

– Quanto paga essa trifeta?

– Não paga R$ 10 – avisou o Barba.

– Enlouqueceu? O favorito não chegou!

– Eu acertei 80 vezes! – avisou o apostador.

Na surdina, o Pavãozinho virou as costas, xingou até as paredes e, de raiva, saiu mastigando a pule vencedora.

VEJA TAMBÉM

Share.
Share.

Comentário